"O que restará de nossas almas após a conclusão dessa matéria?", perguntei um pouco apreensiva ao nosso repórter Marcos Paulo Rocha, prevendo o impacto existencial que a descida ao submundo do sexo em uma das cidades mais violentas do planeta poderia provocar em nossas pobres almas classe-medianas. "Parques de Lúcifer" era o maior desafio de reportagem já enfrentado pelo E-VISTA. Porém, surpreendentemente, seja pelo roteiro escolhido ou pelas limitações impostas, descobrimos razão e emoção nesse universo doentio. Encontramos seres humanos reais e não brutalizados, sendo essa orientação, individualizada e humanizada, que norteou toda a matéria. E concluímos, ao encerrarmos o trabalho de campo em uma Praça Tiradentes agitadíssima, que o bas-fond vai nos deixar saudades.
Também da noite carioca nos chega a personagem e modelo de nosso editorial de moda. A rapper Manu Valdez, que teve projeção nacional com o seu grupo Anfetaminaz, é uma verdadeira poetisa do cotidiano. Sua personalidade forte e suas letras neofeministas a projetam como a nova mulher urbana brasileira. As grifes que a vestiram, as também cariocas HORUS e OZ, já fazem desse perfil de mulher a sua marca.
A Horus, das estilistas Lúcia Calazans e Carolina Tirre, mãe e filha, é a imagem e semelhança de Carol. Jovem que exige a liberdade de explorar visualmente o seu diferencial. O olho tatuado egípcio indica uma espiritualidade ancestral, herança de seu bisavô índio pele vermelha já transformado em ícone de uma de suas coleções. Se fosse criada uma trilha sonora para a Horus, ela seria psytrance. A grife é revendida em dezesseis estados brasileiros e lançará coleções para exportação. Pretendem abrir uma loja dentro do complexo dos Jogos Pan-americanos de 2007 e outras mais em pontos descolados da cidade.
Vestir a diversão é a proposta da Oz, que se define como uma marca moderna e contemporânea, feita para pessoas que buscam o conforto e se destacam na multidão. As sócias Paula Novaes, estilista, e Fabiana Decnop planejam para 2006 vender no atacado a nível nacional e trabalhar com tecidos planos.
Na seção Agenda apresentamos as imagens vencedoras do concurso fotográfico promovido pelo jornal Capital Cultural, em que o centro do Rio foi o tema. Este é um dos vários jornais gratuitos que vem circulando pela cidade e que criaram um circuito de distribuição independente das bancas. Seu editor Virgílio de Souza é acima de tudo um promotor cultural atento e crítico de nossa desgovernança política. Percebemos nessa imprensa alternativa uma maior interação com a sociedade. O E-VISTA aposta todas as fichas que esse é o único caminho para a renovação do jornalismo brasileiro.