Tínhamos em nossa cabeça uma questão, que pode ser assim formulada:

A indústria de câmeras fotográficas desacelerou a produção de câmeras carregadas com filmes. Em um futuro bem próximo essas câmeras não serão mais produzidas. Alguns filmes clássicos e essenciais já foram extintos e não serão substituídos. A história da fotografia estará chegando ao seu fim?

Tínhamos um problema, quem responderia essa questão. Não pretendíamos encontrar uma resposta definitiva, mas alguém cuja atuação na Fotografia indicasse caminhos.

Na avenida Pasteur, Urca, num belo casarão cuja fachada branca é suavemente pintada pela luz, fomos achar os personagens, algumas respostas e muitas outras questões.

O Ateliê da Imagem é o maior centro de ensino, divulgação e estímulo à produção visual no Rio de Janeiro. Seus cursos e workshops englobam todas as possibilidades criativas em fotografia, cinema, vídeo e mídias digitais. Foi essa flexibilidade de inserções no universo da imagem que nos atraiu. O Ateliê é provavelmente o único espaço de ensino no Rio de Janeiro onde vamos encontrar as duas pontas do cabo de guerra que nos preocupava lá no início: pesquisas avançadas em manipulação digital lado a lado com o artesanal das técnicas primitivas da fotografia do século XIX, articuladas de forma não excludente.

Orquestrando toda essa babel de possibilidades artísticas está Simone Rodrigues, que ao lado de Patrícia Gouvêa dirige o Ateliê da Imagem. Simone tem o olhar decidido e brilhante de quem sabe estar cumprindo uma missão. É uma entusiasta da idéia do coletivo, conduz o Ateliê como uma casa de articulação democrática, aberta à colaborações várias.

A atestar isso, Marco Antonio Portela, que passou de aluno a professor. Marco Antonio é um artista que brinca com as possibilidades do suporte fotográfico. Para conceber a série Da Paixão foi buscar antigas fotografias de mulheres que ressurgem fantasmagóricas em folhas secas, chapas de aço, louça doméstica, lixa industrial.

A negação do suporte fotográfico tradicional em Simone Rodrigues chega ao paroxismo de criar obras sem suporte – pura emulsão impressa e livre de sua base boiando em líquido como peixes no aquário, na série Fotobjetos.

O trabalho autoral e didático de Simone e Marco Antonio, apesar de radical e surpreendente, fala de uma longa história que só os 166 ou os 179 anos da fotografia podem contar. Nós os convidamos para uma entrevista conjunta em função da similaridade dos cursos que ministram e do tipo de experimentação com a linguagem visual em que estão evolvidos. Nós os convidamos porque suas questões nos soavam como quase-respostas.

Diante de nós, embaixo do teto retrátil do estúdio de 84 metros quadrados do Ateliê da Imagem, Simone Rodrigues e Marco Antonio Portela:


Simone Rodrigues e Marco Antonio Portela


COMO SURGIU A IDÉIA DOS CURSOS DE TÉCNICAS ALTERNATIVAS E POR QUE FAZÊ-LOS

Marco Antônio Portela - Eu sou cria da casa. Fiz vários cursos aqui. O Ateliê da Imagem traz essa relação da fotografia com as artes visuais, ou usa a fotografia como suporte para pensar a questão visual. Os professores daqui me fizeram ter tesão por fotografar, não só a busca do "clique mais", mas a necessidade da fotografia quase como um trabalho artesanal. O laboratório p/b não foi suficiente para todos os meus devaneios, e comecei a pesquisar outros processos. A Simone, que é uma mentora de todos aqui, incentivadora de quase todas as "viagens na maionese" da galera, inicialmente ela ouve suas idéias como a diretora da escola e diz "vai lá, pensa melhor". Vou pra casa achando que ela não gostou, e no dia seguinte ela chega toda feliz com os olhos radiantes e diz "pensou? qual é a proposta?". Ela sempre estimulou muito essas viagens, tanto dos professores como dos alunos. Assim tive liberdade para desenvolver a idéia de um curso de processos fotográficos alternativos, explorando de início apenas o liquid light, ou emulsão fotográfica líquida. O liquid light é uma emulsão contemporânea, aplicável sobre diversas superfícies que tornam-se fotossensíveis e impressas como papel fotográfico. Tenho muitos trabalhos desenvolvidos nesse processo.

Simone Rodrigues - Você vai na loja e compra uma emulsão líquida que você aplica sobre qualquer coisa, pode ser que funcione ou não. Existem superfícies em que a emulsão se descola, outras em que ela se estabiliza perfeitamente e pode ser revelada com revelador comum de papel fotográfico.

Marco Antônio Portela - Nosso curso é de processos alternativos às fórmulas convencionais. Ele ensina determinada técnica, estimula as minhocas na cabeça dos alunos, batemos cabeça juntos, só não podemos nos responsabilizar pelo que acontecerá depois... (risos).

Simone Rodrigues - Esse curso se ampliou incluindo técnicas do século XIX, Van Dick, além do liquid light, porque concluímos que tudo fazia parte de uma mesma busca por  reprodução de imagens com suportes diferentes do papel industrial.

Marco Antônio Portela - A Ana Saramago, que eu já conhecia da Fundação( NE: Ana Saramago é conservadora de fotografia e integrante da equipe do Centro de Conservação e Preservação Fotográfica da Funarte), domina excepcionalmente todas essas técnicas, e eu a convidei para dar um curso aqui. Eu era seu aluno no.1 inscrito e ela me chamou para dar aula junto com ela.

Simone Rodrigues - A Ana tem uma formação mais técnica e o  Marco uma produção autoral. Se casaram perfeitamente como professores-parceiros, num equilíbrio entre técnica e criatividade.

 - topo -

O PROBLEMA DO ACESSO AOS MATERIAIS

Simone Rodrigues - Você sabe que eu estou com dificuldade de encontrar revelador e fixador? Os importadores dos químicos Ilford suspenderam os pedidos por causa do jogo duro do fabricante inglês que está exigindo o pagamento à vista em euro. A Ilford assim baniu a distribuição para a América Latina. É uma pena porque a chegada deles ao nosso mercado nos anos 90 acabou com o monopólio da Kodak, e agora parece que voltamos a essa antiga situação.

Marco Antônio Portela - Filmes os amigos podem trazer lá de fora, mas química não tem como, é mais difícil de importar.

Simone Rodrigues - A gente está sempre alugando os amigos para poder ter material para dar os cursos.

 - topo -

A DINÂMICA DE PRODUÇÃO NOS CURSOS

Simone Rodrigues - É a luz do sol que imprime a imagem. A imagem não é impressa por ampliação, mas por cópia contato. O negativo tem que ter o mesmo tamanho da cópia final. Você adquire umas prensas, basta ser uma base e uma garra com um vidro por cima, prende-se o vidro na base com a garra e dentro fazemos um sanduíche com material fotográfico emulsionado e o negativo por cima, leva-se ao sol, e o tempo varia...

Marco Antônio Portela - A gente constrói um negativo, a partir desse negativo original fazemos um kodalit do tamanho idealizado para o seu trabalho. Se você quiser uma imagem 20x20, o kodalit terá essas dimensões, e depois amplia-se em laboratório convencional.

Simone Rodrigues - Você amplia numa folha kodalit, e passa a ter um positivo transparente. Aí você faz por contato um negativo transparente. Esse vai ser o gerador da cópia original.

Marco Antônio Portela - Esse conjunto vai pro sol, porque são os raios ultra-violetas que queimam a cópia.

Simone Rodrigues - ... por características da composição química dessas emulsões, que é ferro...

Marco Antônio Portela - ... e nitrato de prata...

Simone Rodrigues - No processo da fotografia  convencional, a prata é o elemento principal, mas no cianótipo é o ferro, que é sensível ao ultra-violeta. Então, é mais fácil produzir ao sol do que com a lâmpada do ampliador.

Marco Antônio Portela - Nos cursos, apesar de podermos trabalhar com qualquer técnica, enfocamos mais o Van Dick e o cianótipo, que são feitos ao sol. Mais pra frente, também vamos abordar goma bicromatada, platina...

 - topo -

O PERFIL DOS ALUNOS DOS CURSOS DE TÉCNICAS ALTERNATIVAS

Marco Antônio Portela - No trabalho de laboratório eu identifico dois tipos bem marcados de alunos: aqueles que estão em busca da fotografia tradicional e do rigor técnico e outros que querem dar continuidade aos ensinamentos do curso de laboratório básico, estão mais relaxados e brincam mais. Mas essa é a característica principal: estar relaxado com os resultados, até porque você pode passar um dia inteiro indo e voltando do sol até imprimir o tempo certo de uma determinada foto. Aliás esse é o curso do fracasso, os alunos erram e erram e precisam errar até chegar ao rigor técnico que eles acham que não têm.

Simone Rodrigues - Eu diria que talvez esses alunos sejam todos artistas enquanto um potencial, um desejo de vir a ser, uma vontade de fazer arte aí compreendendo arte necessariamente em um conceito mais abrangente, alem das artes plásticas que estão no mercado. São pessoas que lidam com sua expressão pessoal como uma forma de expressão artística. Em nossa cultura atual, estamos precisando muito disso - uma das principais causas do stress e dos desequilíbrios psicológicos, da dificuldade dos relacionamentos e convivência humana é esse embotamento do indivíduo em relação à sua possibilidade de criar alguma coisa nova na vida. Isso pode ser através da imagem, da música, da culinária... Se essa busca pessoal será reconhecida pelo mercado de arte é outra questão que talvez nem nos interesse alcançar. Mas acompanhamos a continuidade do desenvolvimento de alguns ex-alunos através das Sextas Livres (N.E. As Sextas Livres são um projeto realizado pelo Ateliê da Imagem que engloba palestras, debates, lançamentos, projeções fotográficas e mostras de filmes, em evento aberto ao  público reunindo os diversos núcleos da escola), do convite para uma exposição que algum esteja fazendo... Aqui existe um espírito do coletivo, de uma comunidade, que está freqüentando os mesmos espaços e compartilhando interesses.

Marco Antônio Portela - Muitos dos meus ex-alunos querem continuar relaxados, fora do mercado de arte.

Simone Rodrigues - A produção nesses cursos tem a ver com o conceito de obra única, distante da idéia das obras de reprodutibilidade técnica, como disse Walter Benjamin.

 - topo -

FUNÇÃO OU STATUS ATUAL DA FOTOGRAFIA FEITA COM FILMES

Marco Antônio Portela - Eu não sou um fotógrafo profissional, como aquele que pega a porradaria do dia-a-dia. Sou um fotógrafo do experimental, não tenho feito trabalho comercial. Mas eu vejo que a fotografia digital veio pra ficar e facilitar a vida dos colegas que estão na porradaria do dia-a-dia. Cada vez mais o negativo vai ficar restrito ao experimental. Porém ainda existem coisas que só podem ser feitas com o negativo, como arranhá-lo, por exemplo. Você faz isso no photoshop e o resultado é completamente diferente, porque não existe o gestual e a imprevisibilidade do trato com o negativo.

Simone Rodrigues - A reação da espessura da emulsão quando ela é agredida assim você não controla.

Marco Antônio Portela - Meus trabalhos com spray da série Da Paixão são impossíveis no photoshop.Pode-se fazer algo parecido, mas o parecido já é outra coisa. Essas imagens são reveladas com spray, só onde cai a gota a imagem é revelada.  Por mais que eu direcione, a gota vai pra onde ela quiser ir. Eu uso um borrifador de plantas bem vagabundo para poder ficar uma gota vagabunda. Até pode ser possível criar um programa de computador aleatório para resolver o problema das gotas, mas aí tem que se criar outro para o problema do arranhão no negativo, e o tempo que será gasto para desenvolvimento disso é impraticável.

Simone Rodrigues - E eu me pergunto se isso já não seria uma contradição. Sobre essa possibilidade de transformação da experimentação em software, vou citar um exemplo de uma palestra que foi dada há pouco tempo aqui por uma doutoranda em matemática que tem como objeto de pesquisa da tese que ela está escrevendo para o Instituto Nacional de Matemática Aplicada da UFRJ, o objeto de estudo dela são os sensores das câmeras digitais, ou seja, o filme digital. E ela falou das inúmeras pesquisas que são feitas no mundo todo em prol de: fazer o sensor ficar mais parecido com o filme X ou Y. Eu e o Marco não temos nenhum posicionamento anti-tecnológico, ao contrário. Eu diria que a filosofia da escola é antropofágica, a gente vai usar isso tudo e vai  fazer o que a gente quer.

Marco Antonio Portela - O que vale é a nossa poética.

Simone Rodrigues - É o toque de cada um. Ele vai fazer o mesmo que eu usando um programa, mas se os dois fazem um trabalho igual ninguém está sendo criativo, são produtos de alguma coisa pré-programada. Qualquer pessoa que gera em photoshop o mesmo resultado que outra, não o está usando criativamente. Mas se estiver usando criativamente, não importa se é photoshop ou laboratório digital, por que ele está fazendo o que ele quer. O meio não importa tanto. É claro que a ferramenta interfere de modo mais ou menos determinante no resultado. Mas a arte, por mais despretensiosa que seja, só vai entrar no momento em que você der o seu toque, em que você se expor de uma forma mais visceral e desnuda.

Simone Rodrigues - Os franceses preferem dizer que a fotografia digital não é fotografia, eles recusam a expressão "fotografia digital" para reservar o termo "fotografia" exclusivamente para a era fílmica. Na França eles falam "imagem" digital, mas nos EUA o termo "fotografia digital" é usado desde sempre. Na fotografia comercial é apenas uma questão de tempo até o filme desaparecer, mas não na fotografia de sentido mais amplo que existe dentro de muitas outras possibilidades e propostas. Eu espero e acredito que o filme não vai acabar. Mesmo que a gente tenha dificuldade de encontrar, mesmo que a gente tenha que produzir nosso próprio filme, manipulando químicos.

Simone Rodrigues - Podemos lembrar que na história da pintura, quando a fotografia surgiu, foi um pânico entre os pintores que viviam da pintura comercial, porque se passou a contratar fotógrafos - era mais barato e rápido. E o que aconteceu? Foi a origem da arte moderna, foi o primeiro momento em que a pintura caiu em si que ela não existe apenas para representar o mundo visível. Ela existe por si, existe para falar de cor, de tinta, de efeitos luminosos, de abstrações e imaginações poéticas, de formas de ver. Eu  fico muito fascinada de pensar na possibilidade de estarmos vivendo um momento semelhante na fotografia. Eu só não tenho idéia de como é que isso irá se desenrolar, mas não duvido que nos surpreendamos bastante com o filme. Que haja uma revalorização desse aspecto artesanal, primário, em que se demora dois meses pra chegar a um resultado que te satisfaz.

 - topo -

O PROCESSO CRIATIVO DE CADA UM (MARCO ANTONIO PORTELA)

Simone Rodrigues - Marco é o artista que eu conheço pessoalmente que mais produz, tem uma energia que parece infindável. Eu admiro isso profundamente, tento ser assim mas não consigo, eu sou de surtos. Têm surtos em que produzo bastante, fico uns dois meses tendo idéias e conseguindo realizá-las. Outras vezes eu entro num marasmo que só mesmo esperando passar. Eu até tenho idéias e anoto para desenvolvê-las num momento mais favorável. Posso estar enganada, mas eu não vejo o Marcos tendo esses processos de não-produzir.

Marco Antonio Portela - Eu consegui criar uma estrutura para isso, eu tenho um laboratório na minha área de serviço. O fato de morar dentro do meu ateliê facilita muito a minha produção, eu posso ir para o banheiro tomar banho com uma folha de teste, colar o papel na parede e ficar esperando o resultado durante o banho, como já fiz uma vez. Mas sinceramente eu gostaria de produzir mais do que produzo, eu também passo por crises. Tenho muitas coisas anotadas que não dou conta, principalmente porque eu não estou preocupado com o meio, eu não estou preocupado com a Fotografia. Que me desculpe a Fotografia, mas eu não estou preocupado só com ela. Tenho muitos trabalhos com fotografia porque foi o que me despertou como artista. Do clique, que pode ser com uma câmera digital, até o laboratório, até os objetos, colagens com photoshop, colagens com goma, e objetos cinéticos que são o meu trabalho mais recente, ainda dentro do ciclo Da Paixão.

Marco Antonio Portela - Então  é isso: a minha cabeça pensa, infelizmente pensa coisas impossíveis que meus braços não dão conta, isso me angustia, e a materialização dessas idéias pode vir só lá adiante. Mas o grande barato da minha profissão, e que a Fotografia me ensinou, é ser tinhoso com as minhas questões. Posso levar dois anos para finalizar uma obra. É claro que precisamos ser versáteis, tendo outro emprego que pague nossas contas, para sermos tinhosos. Mas eu tenho inúmeras dificuldades - esses trabalhos são dolorosos de sair porque são verdadeiros. Eu passo adiante o resultado de todas as minhas pesquisas nos cursos. Dou murro em ponta de faca, deixo sangrar até quebrar a faca para depois dizer: há há há, agora eu vou te sacanear e contar pra todo mundo como foi que te quebrei. Não é a técnica que importa - eu vou ficar muito feliz de ajudar um aluno a colocar sua poética resolvendo os problemas técnicos pra ele, mas com certeza será a poética daquele meu aluno, nunca estará concorrendo com a poética de Marco Antonio Portela. Eu posso ser reconhecido pelo MOMA e jamais ser reconhecido pela mamma, mas a poética é minha e ninguém me tira, como a poética é dele e ninguém tira. Já a técnica qualquer um aprende.

 - topo -

DIGITAL X ANALÓGICO

Simone Rodrigues - O campo de experimentação na fotografia digital é limitado porque ainda não foi bem explorado. As crianças de hoje são tão íntimas dos computadores como nós éramos dos nossos bichinhos de estimação quando pequenos. Daqui há dez anos elas vão estar arrasando...

Marco Antonio Portela - Para nossa geração, o que incomoda na fotografia digital é a falta de tempo para contemplar o trabalho. Abre-se a foto no computador, corta aqui e ali e pronto: esta é a foto! E deleta-se todo o resto. Na fotografia tradicional você tem oportunidade de olhar para os seus erros porque esses erros são materiais. Na fotografia tradicional você necessita olhar para os erros. Quando eu falo em erro estou falando em tempo de analisar aquela imagem. Com a fotografia digital muda-se o olhar, o olhar é outro, porque o "erro" é deletado, sem tempo para uma análise posterior.

 - topo -

O PROCESSO CRIATIVO DE CADA UM (SIMONE RODRIGUES)

Simone Rodrigues - Eu sou irmã de alma de trabalho do Marco. Existe uma grande familiaridade na nossa produção, não é à toa que a gente pensa junto essa proposta dos cursos de técnicas alternativas aqui no Ateliê. Eu também comecei na fotografia porque descobri nela a abertura de um espaço infinito de possibilidades criativas. Eu já tinha buscado esse espaço na música e na literatura, e era uma jovenzinha muito angustiada porque eu achava que nunca seria boa música nem escritora. Até entrar num laboratório e dizer: achei, é isso! Desde esse momento inicial, eu queria mais do que só prestar serviço com a fotografia. Para mim prestar serviço foi um momento de crise, em que eu achei que estava vendendo a minha arte. Eu sempre quiz fazer outra coisa com a fotografia, dar expressão para todas esses angústias que precisavam ser processadas ou para uma visão de mundo que precisava ser compartilhada e que talvez eu tivesse dificuldade de fazer de outra maneira. Mas a minha criação mais próxima do trabalho com fotografia criativa ou experimental, como queiram, que me realizou mais começou bem recentemente, dez anos depois desse momento inicial. Foi em 2001, quando eu fiz a peça que literalmente é a obra-prima. Obra-prima não é a obra melhor do mundo, é a primeira de uma série. Os Fotobjetos são trabalhos em que a fotografia é experimentada em seu limite - ela pode ser rasgada ou envolta em arame farpado, como fiz em uma fase mais agressiva. Podem ser fotos apropriadas de jornais, de álbuns, de outros autores, e transformadas até a sua exasperação. Isso ainda é fotografia? Rosângela Rennó e Miguel Rio Branco preferem ser definidos como "artistas plásticos", mas eu acho que a expressividade na fotografia já é intrinsecamente  artística. Eu sou fotógrafa.

 - topo -

  • fotos dos entrevistados: José Luiz Monteiro.

ATELIÊ DA IMAGEM – SERVIÇO
Endereço: Av. Pasteur, 453 – Urca – Rio de Janeiro
Telefones: (21) 2541-3314 / 2244-5660
Fax: (21) 2542-7078
Info@ateliedaimagem.com.br
www.ateliedaimagem.com.br

GALERIA DE EXPOSIÇÕES
(entrada franca)
Segundas às sextas, de 10h às 21:30h
Sábados, de 10h às 13 h

2O POR 20
Coletiva com curadoria de João Wesley de Souza
Visitação: de 8 de abril a 6 de junho de 2005
Vinte e seis artistas tiveram como desafio produzir um trabalho no formato 20x20. Utilizando mídias diversos, como pintura, fotografia, desenho, objeto e escultura, os participantes são: Mauro Bandeira, Ana Luiza Trancoso, Greice Orlean, Marcia Clayton, Patrícia Gouvêa, Marco Antonio Portela, Analu Nabuco, Cristina Gabus, Kitty Paranaguá, Isabel Lofgren, Maria Helena Lyra,  Andrés Cruz, João Wesley, Len Cavalcanti, Vania Penna C., Oswaldo Carvalho, Paula Gualberto, Nice França, Anita Fiszon,Valdirene, Sheila Mancebo, Rogério Rauber, Ana Biouchini, Mabel Espíndola, Raquel Garcia e Adir Maria Andrade.

  • PRÓXIMAS ATRAÇÕES

MOSTRA DE FOTOGRAFIA ARGENTINA
Coordenação de Elda Harrington  e Juan Travnik
De 10 de junho a 8 de agosto de 2005

IMAGEM-CÓDIGO
Isabel Lofgren
De 12 de agosto a 10 de outubro de 2005

PELES FOTOGRÁFICAS I E II
(pesquisa com quimigrama)
Cláudia Mauad
De 14 de outubro a 5 de dezembro de 2005

FORRÓ DOS SENTIDOS
Marcelo Corrêa
De 9 de dezembro de 2005 a 13 de fevereiro de 2006

XILOGRAVURAS
Arlindo Daibert
Curadoria: Neysa
De 17 de fevereiro a 10 de abril de 2006

  • PROJETO SEXTAS LIVRES

(Entrada franca)
Todas as sextas-feiras a partir das 19h
Mostra Curta o Curta com filmes de curta-metragem toda primeira Sexta Livre do mês

 

                 

A

 

               

T

                 

E

 

 

L

I

Ê

 

D

A

 

I

M

A

G

 

"Impossibilidade do Encontro" - Simone Rodrigues

E

                 

M

                 
                   
                   
   

 

 

 

 

 
 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

"Gerações" - Marco Antonio Portela

 
                   
                   
                   
                   
                 

 

 

 

               
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                 

 

 

 

               
                   
                   
                   
                   
 

 

               
                   
                   
                   
                   
                   
 

 

               
 

 

               
 

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

"Compotas" - Marco Antonio Portela

 

 

 

               
 

 

               
 

 

               
 

 

               
 

 

 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

"Aquário" - Simone Rodrigues

 

                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
 

 

             

 

                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

"Célula Mater" - Simone Rodrigues

 

                   
                   
                   
                   
 

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

"Vestígios" - Marco Antonio Portela

 

                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
   

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

"O tempo corrói III" - Marco Antonio Portela

 
                   
                   
                   
                   
 

 

 
 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
     

"Kit1" - Simone Rodrigues

   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
 

 

 

           

 

                   
                   
   

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
      Simone Rodrigues    
                   
                   
                   
                   
     
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

Marco Antonio Portela

 

 
                   
                   
 

 

               
 

 

               
     
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

Simone Rodrigues e Marco Antonio Portela

 

 

 

               
 

 

               
 

 

               
 

 

               
 

 

               
 

 

               
 

 

 

       

 

   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                   
                                       

início